No primeiro período da história de Angra, o município era um importante entreposto comercial, pois, encontrava-se no meio da rota marítima que fazia a ligação entre as “Vilas de S. Vicente e S. Sebastião do Rio de Janeiro”.
O primeiro povoado local, elevado à categoria de Vila já em 1608, se fez na região que hoje é chamada de Vila Velha. Poucos anos depois, em 1617, com o assassinato do padre responsável pela paróquia local, iniciou-se um processo cujo resultado, em 1624, foi o abandono da localidade primitiva e a mudança do povoado para o atual sítio de Angra dos Reis. O novo sítio foi provavelmente escolhido por já abrigar a Casa Conventual dos Carmelitas, erguida em 1593. Em 1626, deu-se início à construção da Igreja Matriz da Nova Vila, só concluída em 1750.
O início da construção do “Caminho Novo”, estrada que fazia a ligação por terra do interior de São Paulo e Minas Gerais ao atual estado do Rio, deu-se em 1728, evitando o percurso marítimo antigo, via o entreposto de Paraty que era, na época, muito vulnerável à pirataria. Essa via possuía ligação direta com Angra dos Reis e as cidades de Lídice e Rio Claro, o que impulsionou o desenvolvimento e enriquecimento da região. Esse enriquecimento pode ser visto expresso na construção do convento São Bernardino de Sena, iniciado em 1763 e concluído cinco anos mais tarde.
O desenvolvimento urbano, contudo, só acontece no séc. XIX, quando Angra tornou-se um importante porto para o tráfico de escravos e escoamento do café do Vale do Paraíba. Em 1835, a antiga povoação de N. S. da Conceição, agora Angra dos Reis, foi elevada à categoria de cidade. A Santa Casa de Misericórdia (atual Hospital Municipal) foi construída em 1836 para atender aos casos de tifo, malária e febre amarela; o Paço Municipal (atual Prefeitura), em 1871, e o primeiro jornal semanal, em 1860. São também desta época, os grandes sobrados da cidade e a antiga cadeia, hoje Câmara Municipal.
Na segunda metade do séc. XIX, três fatores desorganizam a economia local: a construção da estrada de ferro que ligou o Rio de Janeiro a São Paulo através do Vale do Paraíba, a decadência do café no mesmo vale e, por fim, a abolição da escravidão. Em conjunto, esses fatores desarticularam as bases onde se assentava a sobrevivência da economia local.
O novo século manterá a tradição que diz ter estado o município sempre ligado aos grandes ciclos do país. Com o fim da República Velha e a ascensão da “Era Vargas”, teremos a construção de um ramal ferroviário, ligando Angra dos reis à Estrada de Ferro D. Pedro II, na região do Vale do Paraíba, que iria posteriormente sediar a construção da Companhia Siderúrgica Nacional. Isso ocorreu em 1931 e, já em 1932, o porto da cidade inicia suas operações.
Com a política desenvolvimentista de Juscelino Kubitschek, a década de cinqüenta assistirá à construção (com capital holandês) do Estaleiro Verolme, no atual distrito de Jacuecanga. A indústria naval seria privilegiada pela posição geográfica de nosso litoral.
A ditadura militar das décadas de 60 e 70 trará a implantação de grandes projetos para a região. Nos anos 70, o Programa Nuclear Brasileiro escolherá Angra dos Reis como local para a instalação das Usinas de Angra I e II (1972 / 1985), que utilizam a água do mar para resfriamento do reator.
Em 1977, é inaugurado o Terminal Petrolífero da Baía da Ilha Grande (TEBIG), para receber navios de grande porte. Este possui dez grandes tanques para o armazenamento de petróleo ligados à refinaria de Duque de Caxias no Rio de Janeiro e à de Gabriel Passos em Belo Horizonte, Minas Gerais.
Ainda na mesma época, é iniciada, em 1972, a abertura da Rodovia Rio-Santos, BR 101, que possibilitou a instalação de empreendimentos turísticos e imobiliários. Com a valorização, iniciou-se o processo de ocupação dos melhores terrenos ao longo do litoral.
Hoje a história de Angra continua sendo contada ao redor de suas águas, através dos proeiros, das traineiras de pesca, das mansões à beira-mar, das escunas, lanchas... De seus trabalhadores, moradores, veranistas e turistas... Dos naufrágios que aqui repousam, do silêncio dos mergulhadores, do barulho das águas que vão e vêm, dos barcos, dos navios e dos veleiros, que sempre buscam as águas abrigadas de Angra dos Reis.
Fonte: www.angra.rj.gov.br |